9 de setembro de 2009

rocha tombal

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Pequenos, quando rabiscávamos casas com as nuvens e o sol e as andorinhas a voar (pelo menos eu desenhava andorinhas, ok?), desenhávamos, um telhado, janelas, a porta e a chaminé.
Com esses elementos deixava de haver margem para dúvidas sobre a identificação da casinha.

O telhado, ou melhor, o telhado inclinado, com telhas, eira e beira, deixou de ser um elemento do gosto da arquitontura em geral e vivemos um período em que se opta pelo plano horizontal em deterimento do oblíquo. Pelo disfarce da cobertura.
A verdade é que foram desenvolvidas novas formas de se deixar a chuva do lado de fora e as telhas, coitadas, passaram a ser consideradas aquelas coisas que não são para aqui chamadas, vá, ok, podem vir, mas fiquem aí na surdina que ninguém vos veja.

Neste momento as telhas ainda não voltaram a estar na berra mas, a ideia de um telhado, inclinado, muito embora sem as tradicionais telhas, as de barro que nos são tão familiares (pelo menos a nós portugueses, e aos gregos, e aos chineses e...), volta a ser considerada, de resto acho que nunca deixou de ser considerada, mas, para o propósito do meu texto, vamos dizer que sim, ok?

Acho que o quinto alçado andou, durante algum tempo, meio na mó de baixo. Sendo um elemento considerado nas entradas de luz, zenitais, onde podemos constatar, por exemplo, nas mesas invertidas do siza, no museu de Serralves. Adoro o museu de serralves, não me interpretem mal, mas não existe uma relação demarcada com a cobertura. Nem acho que seja necessário que assim seja mas, gosto de perceber que, aqui e ali, se vai colocando o quinto alçado como um elemento que tem algo a acrescentar, que define o objecto.
Já o Francisco Garrido, por exemplo, não considera nem deixa de considerar o quinto alçado, para ele é tudo uma coisa só, plástica e siga (não gosto de facto de ele esquecer essa relação de intimidade entre o indivíduo e o objecto, tudo é monumental demais, plástico demais, vá, bonito para a fotografia).

Voltando ao projecto, ilustrado pela imagem, gosto ainda da forma como não se diferencia o material do telhado do das paredes, como se importasse apenas o simbolo. É interessante, porque podemos perceber essa mesma linguagem, no interior, onde, em várias dependências, não se distinguem os elementos, o piso, paredes, tecto, tudo maculadamente branco. senão veja-se...
É interessante (não é mas fica assim mesmo) o fatco de este projecto ser holandês. Ok, ok, esperado que assim fosse, não? É interessante porque se percebe uma forte influência da cultura local. Temo um objecto totalmente actual, de acordo com a estética e o bom gosto do momento (a estética e o bom gosto do momento é muito bom, de onde tirei isto?), que preserva traços marcantes da arquitectura regional.
olhem esta imagem e digam lá se não é...
Nos países nórdicos, chove mais e, sobretudo, neva mais, dessa forma, não se acumula tanta neve, portanto, a casita preserva uma temperatura menos inóspita. Ok, hoje em dia há os sistemas de aquecimento central que deixam a casa sempre com uma temperatura controlada, mas, é sempre bom minimizar a necessidade de subterfúgios.
Ainda não disse quem fez o projecto?
ah, que falta de educação a minha. O projecto é de uma tal de Rocha Tombal e do seu atelier.



As janelas, essas, são verdadeiramente deliciosas, lembram-me um projecto que já mencionei aqui (vá ide lá ver, vá...), o hotel aire de bardenas.
Quanto ao formato e ao uso do material no exterior, ide ver este projecto que tb já falei aqui dos buroII.