8 de novembro de 2007

gosto. não gosto!

Ontem, enquanto via uma imagem publicitária, alguém comentou: mas que lábios!
que boca!
Olhei com a pretensão de ver o motivo de tais comentários e descobri uma boca bem comportada. Comportada e pequena demais para merecer tais comentários e interjeições.
Rematei com - existem milhares de bocas mais bonitas que essa em qualquer esquina de brasília (como se brasília tivesse esquinas, mas isso é outro assunto)- não satisfeito, com o ar de reprovação, rematei - mas eu sou europeu!

ficou no ar uma penumbra de arrogância!

Para que não permanecesse o tom de superioridade no comentário (até porque não era o objectivo) expliquei que havia rejeitado a boca da imagem publicitária em favor da mais comum das bocas deste país porque, de facto, os forasteiros olham as coisas com outros olhos.
forasteiros = europeus no Brasil que acham que uma boca pequena não se compara a uma boca de tamanho digno de figurar numa publicidade verdadeiramente sensual.

Por mais que me tenha explicado, o que ficou na memória foi a bordoada - mas eu sou europeu! em jeito de - vocês não entendem nada disto pá! eu que sou europeu é que sei!

Então, usei como argumento a preferência, dos indivíduos deste país, por mulheres alvas e loiras em oposição à generalidade das mulheres da terra. Uma cegueira generalizada causada pela falta de distanciamento ou pela falta de exotismo...
no meu íntimo não existe justificativa para a preferência daquela boca insípia mas...


Isso leva-nos ao seguinte tema, também ele alvo de sobejas discussões, ignorando completamente as preferências de tons, nuances, luzes e mais não sei o quê...

O cabelo.

Liso ou natural?
Isso é pergunta que não se faz aqui no brasil.
Existe um mercado que já passou a fase da franca expansão, para se tornar quase um símbolo nacional, maior que o Pélé, o samba ou o carnaval. A chapinha!
A chapinha?
sim, a chapinha!
um objecto que parece uma tábua de engomar, na devida escala, que se liga à corrente e deixa os cabelos electrocutados, estendidos e caídos.
Mesmo quem tem o cabelo liso, não dispensa umas horitas ali a passar a ferro.
é um tempo, segundo quem se serve do procedimento, muito bem investido, uma vez que a aparência resultante caminha no limbo do endeusamento.
Não é preciso dizer que da carapinha não resta memória, por estes lados, parece nem ter existido. Na rua só vejo cabelos electrocutados.
Nunca pensei um dia dizer isto, mas começo a ter alguma saudade das permanentes dos anos 80 (sim, sim, é só pirraça...).

enfim! nem 8 nem 80.
bom mas gostos não se discutem, certo?
e arquétipos?

4 comentários:

cris disse...

que absurrrrrdo!! as índias super brasileiras tem os cabelos super lisos, sorte a dela :)
cabelo de chapinha fica floft, fica macio e alvo, fica a plena beleza no seu máximo esplendor, e pra quem tem cabelos lisos, como o meu, só ajeita o penteado, ora bolas!

bruno disse...

Se as índias tivessem sido influenciadas pelos anos 80, será que elas também teriam feito permanentes? Seria bonito, não?
então porque é que as indias assumem a sua naturalidade e todas as outras não? anda tudo em busca da identidade índia? e as raízes africanas? e as portuguesas? e de todas as demais culturas que aqui se misturaram?
o nordeste ganhou independência ontem e eu não descobri? e os gauchos finalmente conseguiram a tão procurada independência?
é o mesmo que dizer que a identidade brasileira é apenas afro, e amanhã vai tudo fazer rastas porque isso é que é bonito...
acho que anda toda a gente a tentar figurar na identidade de outrém. o problema é o ideal de beleza que se vende a um povo que já tem uma identidade própria na sua biodiversidade, não precisa de se prender apenas a um ideal.
acho redutor.
será redutor dizer que o brasil é só carnaval?

cris disse...

os homens antigamente não depilavam! e nem as mulheres passavam chapinha! o que indica que cabelo enrolado e pelo no corpo é pior do que cabelo liso e corpo sem pelos? resposta: o senso estético de cada um, uai!!! e tenho dito! kkkkkkkk

laura disse...

Oi Bruno,

Vim retribuir sua visita e gostei muito do que li. Apareça sempre!
Um abraço,