19 de fevereiro de 2010

palavra a palavra enche-se o blogue com treta

hoje descobri uma palavra ao acaso, entre um texto e outro, entre uma palavra fugaz, e outra repetida, lá estava ela. Seren... Serio e de idade, Serendicidade.
Seenpidade, serendipidade... ufa, serendipidade!
Palavrinha para se dizer com pouca serenidade é o que é.
Serendipidade é uma palavrinha interessante, o quê? queriam a papinha aqui toda? este é o vosso acaso, acaso desconheçam o meaning da palavrita... ide lá ver ao dicionário...
não? Porquê?
dá trabalho?
Vá preguiçosos, mexer os dedinhos, e não se fiquem pela wikipérdia porque a palavrita pede mais e quem pérdia são vocês...

17 de outubro de 2009

janelas


sigo por entre as serras, por caminhos da memória. por entre os rios e as vindimas. por entre as curvas da serra ouvem-se rumores do frio de um outono que pede desculpa por chegar atrasado. Onde estará o meu verão privado? esse calor que me faz suar nas noites do cerrado? por onde andará o meu colibri? meu beija-flor... bebendo água nas fontes de brasília? se escondendo da chuva? buscando mel nas flores?

de olhos na estrada, sigo a rota de uma voz robotizada que me faz perder o rumo por entre aldeias abandonadas e caminhos por onde nem as cabras passam mais.serras. verdes prados. castanhos, pasteis, laranjas. verdes e mais verdes, folhas caídas. velhos perdidos em estradas sem destino.olham o tempo como quem olha um passado que não chegou para dizer tudo. seia. cidade? distrito? freguesia? museu do pão. entramos? não há tempo... curvas, frio que se aninha sorrateiramente nas entranhas dos trapos de verão, imensidão, vales, aldeias. lagos, laguinhos, rios e riachos, ovelhas. perto. cada vez mais perto. pertinho. do alto! olha o passado aqui tão perto. olha, estranha proximidade de um tempo ali tão perto, longínquo. paragem num passado que se viveu, feliz. saudade de quem não está mais. saudades de um templo destruído. janelas que mostram uma alma frenestrada por um tempo mais apressado. caminhos percorridos, uma e outra vez. caminhos apagados. destruídos. figuras que olham esse cenário com admiração. sem preconceito do cenário de outros tempos.portas caídas. ventos sorrateiros. templo de uma memória avassaladora. saudade.objectos esquecidos pelos ventos, pelo pó. folhas de plátanos que espreitam o teatro sem actores. árvores que dançam tristes sem plateia.
espectáculo. beleza. vazio. salas cheias de tudo menos nada. ouço os passos de um casal que segue ao longe, num tempo que não mais é. páro e vejo, ali, em frente, em cima, por baixo, de todos os lados, no meio da destruição, estranha sensação de beleza. Quanta tristeza. quanta beleza. tanto sentimento. quanto para sentir, para gritar.


Pára. para chorar, rir e apenas sentar em frente à sombra do que foi. o presente é uma sombra forte, marcada, definida, de um passado que me construíu com sorrisos e janelas abertas sobre os ares da serra. como seria bom mostrar isto ao meu pequeno verão privado.
como seria bom ficar ali, parado, horas, dias, fazendo as árvores sorrir... mostrar e contar as histórias partilhar essa tristeza e sorrir no meio dos ventos que varrem a tristeza dali pra longe. ahh.arre...ares da serra. sanatório. que estranha força tens tu na razão da emoção! rasgas-me por dentro o sofrimento e fazes-me sorrir por caminhos que se abrem, com a tristeza de um passado feliz, que não mais é. com o sorriso recuperado por ali ter existido uma história, felicidade sorrateira que chega com o vento e me leva por entre as portas e janelas, até junto de ti. Aí, do outro lado dessas letras...

15 de setembro de 2009

tobias o gato

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Há quatro anos atrás ele ficava sentado ao meu colo, hoje mora na saudade...
Há um ano atrás, e uns dias, ele partiu em busca de outras aventuras.
Fiquei emocionado com as palavras do meu pai de um sentimento que subscrevo.

14 de setembro de 2009

o velho e o novo

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Ao que parece, a sociedade actual, anda muito preocupada com esta coisa de não se envelhecer. anda tudo atrás do santo graal.
Anda tudo a ficar velho por dentro a tentar preservar um arzinho de gaito.
No entanto, não é o caso do que venho aqui ilustrar. Antes pelo contrário.
Como podem perceber pela fachada, ou talvez não, trata-se de um edifício Art Déco. No caso, é um edifício construído em singapura, e não não deixa de me lembrar uma shanghai que nunca conheci, ou uma indochina que me está marcada numa memória do que não vivi.

Deixando as memórias fantasiosas de parte, existe por esse mundo fora, uma vaga de destruição, ou de guerra, diria melhor, guerrilha urbana, ao velho.
Gostei deste gesto em que se preserva uma fachada com todo o requinte que a traça lhe confere, aos olhos, obviamente de um saudosismo por estilos que marcaram uma época deixando, no entanto, que uma nova história tome lugar no seu interior num harmonioso diálogo entre dois tempos. Como em tudo na vida, os opostos, não, não ia dizer que os opostos se atraem, os opostos, quando colocados lado a lado, acabam por se destacar mais.
Irrita-nos mais um ruído se estivermos em silêncio, bebemos mais água se estivermos com muita sede, e não é à toa que o capuchinho vermelho é vermelho, no meio da floresta verde, (afinal o verde é complementar do vermelho).
Outro aspecto interessante, é que um dos motes para este projecto foi a Luz. Ou melhor, segundo parece, os clientes pediram que isso fosse levado em consideração, porquê?
Ora, porque a casa era muito escura, se a casa é muito escura, faça-se luz, luz, sombra.
Com esta coisa dos complementares em mente, foi criado uma história nova numa casa velha.

E renovou-se uma casa tradicional com a inserção de um pátio, e ainda houve espaço para uma piscina. Esta ideia das piscina dentro de casa é uma coisa que, deixem-me que vos diga, aqui em brasília, deveria ser obrigatório. Porquê? porque isto é seco, muito seco. Vá, ok, pelo menos durante o período da seca. Seria um humidificador natural. Nunca fui a Singapura, nem sei se por lá o clima é seco, mas, se for esse o caso, está explicado.

Não estão a entender nada, não? querem que faça um desenho? Ok, não fui eu que fiz mas serve, fiquem com o desenhito...
Esta coisa dos créditos não pode ficar esquecida, portanto cá vai.
O projecto é do atelier, ong&ong e vale a pena irem lá ver outros projectos deles, em que eles projectam dentro do confronto entre o velho e o novo.
Para verem mais fotos, ide aqui, onde descobri este projecto, podem ver mais imagens e ler mais sobre o assunto se estiverem interessados.
Se quiserem ver mais fotos do gajo que disparou os clics que ilustram o post, aqui vai, o nome dele é Derek Swalwell e também vale a visita.